Depois de atuar como diretor de Criação na VML, antiga Energy, em 2008, e de passar por grandes agências, Botega começou a estudar um modelo novo de negócio que estava nascendo nos EUA: as multichannel networks (MCNs), novas empresas de mídia e entretenimento que gerenciam e produzem somente social videos como canais de YouTube. “Era tudo que eu sempre sonhei: uma empresa que fosse meio curadora, meio produtora, criativa, meio TV, meio agência, só que totalmente digital”, revelou Botega, em entrevista ao Blog Inspire-se. Depois de três anos estudando e se aprofundando, criou a Rede Snack, primeira network 100% nacional.

Conversamos com Botega, que comentou sobre o crescente mercado de social video, sobre as tendências de mercados e temas com maior destaque, além de destacar os benefícios de se fazer parte de uma network como a Rede Snack. Confira:
Em que momento você mudou o foco da sua carreira e decidiu criar a Rede?

Sempre fui um cara apaixonado pelo conteúdo e estudioso do YouTube. Enquanto criativo digital de agência, sempre respondia a um briefing com uma estratégia de vídeo online. Em meados de 2010, comecei a estudar um novo modelo de negócio que estava nascendo nos EUA: as multichannel networks (MCNs). Novas empresas de mídia e entretenimento que estavam gerenciando e produzindo somente social videos como canais de YouTube. Era tudo que eu sempre sonhei: uma empresa que fosse meio curadora, meio produtora, criativa, meio TV, meio agência, só que totalmente digital. Foram 3 anos de estudos de modelos de negócio para finalmente sair da agência e empreender. Em 2013, eu e meu sócio Vitor Knijnik fundamos a Snack, a primeira network 100% nacional.

O que caracteriza o social video? Existem alguns pré-requisitos para um video ser social video, ou todas as publicações em canais podem ser consideradas social video?

O Social Video se caracteriza por ser um vídeo ou uma série de vídeos distribuídos por plataformas digitais, principalmente o YouTube e o Facebook. São os canais de YouTube, os vídeos do Facebook Watch, Instagram, Insta Stories e por aí vai. É on demand, é 70% consumido no mobile. Começou sendo um formato curto, mas com a adesão de audiência, a minutagem não tem limites.

A métrica principal é o engajamento. O público dá likes, comenta, compartilha. Sai o conceito de audiência, entra o conceito de comunidade ao redor do conteúdo. Os fãs não só assistem, mas seguem, respondem, interagem, compartilham – amam o conteúdo. Os protagonistas deixam de ser atores, atrizes e apresentadores e passam a ser os youtubers, influenciadores, pessoas comuns que são autênticos nos seus assuntos. É também fruto de um ambiente denominado de “Siliconwood“, pois tem o DNA de criação, de produção de hollywood, mas com muita análise de dados, tecnologia nas mensurações e na criação do conteúdo.

É possível elencarmos temáticas com mais aceitação e visibilidade na Rede?

Temos hoje 539 mil canais no YouTube Brasil. Produtores regulares de social video, com no mínimo 5 mil inscritos. Games e música, sem dúvida, são dois gêneros que se destacam em volume. Porém, é uma plataforma muito democrática e como o objetivo é criar comunidade e não uma audiência massiva, temos canais para amantes de trem, canais que ensinam diferentes receitas só de cupcake, canais de esqui, por exemplo, que tem alto engajamento e minutos assistidos (watchtime).

O importante é criar e produzir dentro do seu universo. Se você é um escritor de ficção, que se sente melhor em escrever terror, fique em terror. Se você é uma vlogueira que gosta de ensinar truques de maquiagem, fique em truques de maquiagem. Agora se você tem vários assuntos do seu universo, sem tema definido,  também não há problema em compartilhá-los. A chave é ter autenticidade da linha editorial.

Nos últimos anos você percebeu alguma categoria/editoria em crescimento? Ou alguma tendência entre os youtubers?

A plataforma precisa se desenvolver em ficção. Por ser sempre produções de orçamentos mais altos do que um vlog, ou outros gêneros nativos, os creators de social video acabam não evoluindo nas produções dessas narrativas. Queremos encontrar o equilíbrio em criar conteúdos com a linguagem do YouTube, sem grandes vícios orçamentários da TV ou cinema, mas com qualidade de roteiro, atuação, produção e engajamento.

Outro assunto tendência é o futebol. Embora seja chover no molhado falar que futebol é amplamente consumido como conteúdo, no social video é algo relativamente novo, principalmente por causa de direitos autorais. De 2 anos para cá, criadores de conteúdo de futebol estão crescendo exponencialmente assim como suas audiências.

Como é feita e em que se baseia a curadoria de canais de vocês?

Em primeiro lugar, a gente olha para a linha editorial. Quanto menos genérico, melhor. Por exemplo, se um creator resolve criar um canal para falar de carros, genericamente, isso não é o suficiente. Mas se ele se aprofundar na linha editorial como um canal automotivo com humor, ou um canal de carros italianos, ou um canal só de mecânica,  já seria um filtro para a Snack. O segundo filtro é se comercialmente ele é interessante. Se existe mercado para esse conteúdo ser comercializado, principalmente para o mercado publicitário. E em seguida é a autenticidade. Se o creator tem afinidade com o assunto que ele está promovendo.

Se algum youtuber quiser fazer parte da Rede, como isso se dá? O procedimento é todo virtual?

Parecido com uma gravadora e seu tradicional departamento de A&R (artistas e repertório). O creator envia para o nosso email suas ideias, pilotos ou seu canal já existente e nossa equipe do departamento artístico vai filtrar e ponderar sua entrada a rede. Temos reuniões semanais para discutir o potencial do conteúdo enviado.

Quais os benefícios mais claros para os youtubers que entram na Rede? Quais os serviços oferecidos?

São três benefícios claros: o comercial, o desenvolvimento de novas ideias e do creator como produtor e a ponte com o YouTube. No primeiro, o canal entra para o portfólio da Snack nas suas vendas em agências e clientes, aumentando as chances do produtor ser monetizado por meios de marcas. Nosso time de criativos e produtores também vai olhar para o canal e sugerir algumas evoluções quanto ao conteúdo. E por fim, qualquer problema que o canal tenha em sua conta do YouTube, o time de metadatas ajuda na solução.

Não costumamos ver conteúdos desse tipo no Vimeo, por exemplo. Isso é um reflexo da tendência da rede com mais acesso ou pode ser atribuído a algum ponto específico de mercado?

Na minha opinião, o Vimeo não é caracterizada como uma rede social e sim mais uma plataforma de vídeo, que é usada mais para assegurar uma qualidade de reprodução. Qualidade é a palavra chave. Foco no produto. O YouTube, Facebook e Instagram são plataformas desenhadas para desenvolver comunidades, conectar o maior número de pessoas possível em torno do conteúdo ou de uma pessoa. No caso, pessoa é a palavra chave.

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