Atualmente ela faz parte do time de roteiristas da sitcom Sacoleiras S.A (Unaí FIlmes), mas antes de mergulhar no universo do audiovisual trabalhou por 20 anos em grandes agências de propaganda de São Paulo.

A criadora conta que ter participado do concurso e vencido foi muito importante para que ela ingressasse no meio audiovisual: “Digamos que vencer o NETLABTV me deu um carimbinho de “roteirista” no currículo que ajudou bastante”, comenta.

A série Dia 1, que quando venceu o concurso se chamava 1º Dia, foi pensada para mostrar como é o primeiro dia de uma pessoa. Por exemplo, o 1º Dia de Liberdade de um preso, o 1º Dia de um soldado do BOPE, ou então, o 1º Dia de uma mulher que foi mãe depois dos 50 anos. Em entrevista ao Blog Inspire-se, Patrícia conta que a dupla levou de seis a oito meses para desenvolver a ideia e fazer o primeiro tratamento do roteiro de Dia 1, antes mesmo de se inscreverem no NETLABTV.

A produção foi comprada pela O2 Filmes e pela HBO, acabou de ser filmada com direção do Renato Amoroso e de Dainara Toffoli e ainda não tem previsão de estreia.

Depois que você e Bruno Souto venceram o edital com o seu projeto, quais foram os próximos passos?

Ligar para as respectivas mães e contar (risos). Bom, depois começou a parte mais legal. O NETLABTV oferece uma semana de imersão para aprimorar e discutir todos os projetos vencedores. Nosso projeto foi discutido, debatido, melhorado e fizemos o pitching para produtores, diretores, roteiristas. Recebemos o feedback deles e, no último dia, apresentamos para um canal que estava interessado. Depois disso, ficamos meses trabalhando o roteiro com a supervisão da Patrícia Oriolo e da Mari Kinkle, que nos ajudaram muito. Quando sentimos que o projeto estava maduro, fizemos a Bíblia e começamos a apresentar para canais e produtoras.

E a série vencedora está em desenvolvimento ou negociação com algum canal?

A série foi comprada pela O2 Filmes e pela HBO. Acabou de ser filmada este ano com direção do Renato Amoroso e da Dainara Toffoli, mas não sei quando vai ao ar.

Independente de a série ter concluída e comprada, ser vencedora do concurso te abriu muitas portas? O que mudou pra você depois do concurso?

Eu tinha uma carreira sólida como redatora publicitária. Então era difícil as pessoas me verem como roteirista. E ser um roteirista com material produzido não acontece da noite para o dia. Digamos que vencer o NETLABTV me deu um carimbinho de “roteirista” no currículo que ajudou bastante.

Como surgiu a ideia do tema da série? E como vocês foram desenvolvendo? Quanto tempo levou a partir do embrião da ideia, até o momento do roteiro fechado?

A premissa de colocar pessoas vivendo o 1º dia de uma coisa única em suas vidas partiu do Bruno. Aí ficamos pensando nos primeiros dias, no formato da série, no tema, nos personagens, no tom…e a coisa foi tomando forma. Antes do concurso a ideia já existia, só não tínhamos escrito o roteiro ainda. Levamos de uns sei a oito meses entre ter a ideia e fazer o primeiro tratamento.

Quando você escreveu o projeto, quais foram suas principais preocupações com a ideia, para conseguirem ser selecionados?

Originalidade em primeiro lugar. Como era um concurso, muita gente participando, queríamos uma ideia que saltasse aos olhos logo de cara. Outra preocupação era desenvolver uma série com uma premissa original mas que também fosse viável do ponto de vista da produção. E por último, desenvolvemos a sinopse e os episódios de um jeito que os jurados quisessem conhecer mais sobre os nossos personagens. Apesar de ser não-ficção, nos dedicamos muito tempo pensando em como os personagens reagiriam àquelas situações, vivenciando uma coisa tão diferente, e o que as pessoas ao redor destes personagens estariam sentindo…Enfim, a gente queria que fosse sobre as pessoas. Além do 1º Dia, também inscrevemos uma série chamada Cuidado com o que você Deseja  e a sitcom O Doutor Impaciente.

Como foi a pesquisa e a escolha dos personagens? Isso chegou a ser desenvolvido depois do término do concurso?

Primeiro nos perguntamos: “O que daria um baita 1º DIA, cheio de conflito e emoção?” Pensamos então o 1º dia fora da prisão, o 1º dia no Bope, o 1º dia em casa com trigêmeos recém-nascidos, o 1º dia em casa após mudança de sexo…Depois começamos a pensar em como construir esse 1º Dia para ficar mais tenso e emocionante. Foi aí que começamos a definir os personagens: a mãe de trigêmeos poderia ter um marido ausente, o cara do BOPE poderia ter sido pai há pouco tempo…O que foi definido no Lab é que o episódio seria gravado nas primeiras 24 horas mesmo, sem captar nada nem antes nem depois.

Temos discutido bastante sobre a questão de a ideia que você tem para uma série ser um produto, e sobre como as pessoas precisam se desapegar um pouco dessa ideia e se abrir para observações dos canais. Isso aconteceu com você? Como você vê esse ponto?

Eu e o Bruno viemos da publicidade. Então, esse ponto é bem tranquilo para a gente. Nosso dia-a-dia na agência sempre foi desapegar, dialogar, reconhecer quais  observações dos clientes são realmente importantes …. Sabemos que uma série também é um produto. Canais investem dinheiro, têm compromisso com sua audiência. Eu sempre gosto de ouvir opiniões de quem está de fora, seja do canal, da produtora, de um parente. Afinal, a gente fica tão mergulhado no universo que criamos que não é incomum não vermos uma fraqueza, uma inconsistência.

Por que criar uma série documental? O que no gênero te atrai? Qual a diferença (ou característica), além das clássicas entre realidade e ‘não realidade’, você destacaria entre a criação de roteiros de ficção e não ficção?

Eu escrevo ficção atualmente. Mas acho que a série documental tem muito de ficção no seu desenvolvimento, na forma de pensar e armar o episódio, escrever o roteiro e principalmente, na hora de construir um personagem. Mesmo que o personagem  exista na vida real, você escolhe uma característica dele para ressaltar na sua narrativa, como na ficção.  Making a Murderer é um bom exemplo de série documental  que segue as técnicas da dramaturgia.

Como é o trabalho do roteirista, quando falamos do gênero documental? É muito difícil? Como foi pra vocês, no caso da série e da criação do projeto?

O trabalho do roteirista é sentar e pensar na história que quer contar, seja ficção ou documental. Escrever é a última coisa. O roteirista fica pensando, pesquisando, criando, matutando, esquematizando, anotando…Nesse sentido, também não acho que exista diferença entre os  gêneros.

O 1º Dia foi a primeira série documental que escrevi, pois meu interesse sempre foi a ficção. Mas fui percebendo que a narrativa documental bebe muito da ficção na criação dos personagens e no desenvolvimento da história. Quanto ao 1º Dia,  o grande desafio foi criar histórias em cima de personagens que ainda não tinham sido escolhidos mas essa parte é fundamental para você testar o formato e o tom do seu projeto.

Você criou 1º Dia em parceria com Bruno Souto. Como é dividir um roteiro? Tanto na questão de criar e formatar o projeto quanto na questão de desenvolver trama, arco dramático, personagens?  

Eu e o Bruno trabalhamos juntos na mesma agência de publicidade e sempre tivemos afinidade criativa. Certo dia, começamos a pensar ideias que achávamos originais, diferentes e que dariam boa séries de TV, tanto de ficção quanto documental. O Bruno é redator, eu sou roteirista. Então eu escrevia o roteiro mas antes disso, a gente batia muita bola pensando as situações, episódios, personagens, arco dramático etc.

Você já escrevia roteiros para publicidade antes de escrever séries. Qual a maior diferença e desafio ao se contar histórias mais longas e ao criar o universo de uma série?

O filme de trinta segundos não é fácil. Você precisa mostrar o produto, passar o conceito da campanha, ser claro, interessante e, ainda assim, muito original. Você tem que ter muitas e muitas boas ideias até chegar em uma que ninguém usou num filme publicitário.

Já na narrativa longa, uma boa ideia não basta. É preciso técnica. Não tem jeito. É uma engenharia, você tem que manter muita coisa funcionando bem: tema, personagens, diálogos, arco, atos, tudo tem que trabalhar para manter a pessoa interessada na sua história. É preciso conhecimento para desenvolver a sua ideia de forma que continue poderosa. Já na criação de séries, além da técnica, que ajuda muito a ter consciência das suas escolhas, você precisa de bons roteiristas do seu lado, criando todo o universo.

Como você vê o mercado para séries hoje, considerando também o trabalho realizado pelo NETLABTV e o profissional roteirista neste contexto? De 2013 pra cá podemos dizer que algo mudou/melhorou?

De 2013 para cá, a coisa esquentou muito. Estou envolvida no desenvolvimento de duas séries de ficção para o ano que vem e, além disso, muitas conversas e possibilidades vivem surgindo, o que mostra que o “mercado” está virando  um mercado de fato. Mas o que mais acho bacana, e o NETLABTV tem tudo a ver com isso, é a importância do roteirista no processo da criação audiovisual. O NETLABTV foi o primeiro a dar oportunidade para o autor, a criar um laboratório onde o autor pode discutir, reavaliar, reescrever seu projeto, aumentando as chances de sucesso. Outra coisa que vem melhorando são os próprios roteiros. Os roteiristas hoje têm encontrado boas escolas de formação e estão sempre em busca de aprimoramento.

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